Especialidades

Hipertensão portal

A hipertensão portal ocorre quando há a formação de cicatrizes no interior do fígado, distorcendo toda a sua estrutura e prejudicando o fluxo de sangue. Com o fluxo reduzido, a pressão faz com que o sangue aumente em todas as veias. Essa hipertensão no sistema porta hepático leva à dilatação (das veias que desembocam na veia porta), o que pode trazer diversas consequências, como inchaço nas pernas, varizes, falta de ar e falência dos rins.

Sinais e sintomas

  • Os principais sinais de hipertensão portal são esplenomegalia, circulação colateral visível no abdômen, ascite, varizes esofagogástricas (hemorragia digestiva alta) e hemorroidas (hemorragia digestiva baixa).

Diagnóstico

  • Em geral, o médico pode apalpar o baço dilatado na parede abdominal. O líquido retido no abdômen pode ser detectado devido ao aumento de seu volume e também pelo som surdo que se percebe ao dar toques ligeiros (percussão). A ecografia e as radiografias proporcionam informação considerável sobre a hipertensão portal. A ecografia pode ser utilizada para examinar a circulação sanguínea nos vasos do sistema porta e para detectar a presença de líquido no abdômen. A tomografia axial computadorizada (TAC) também pode ser utilizada para examinar a dilatação das veias. A pressão do sistema porta pode ser medida diretamente, inserindo uma agulha no fígado ou no baço pela parede abdominal.

Tratamento clínico

  • O tratamento medicamentoso da hipertensão portal tem como principal objetivo reduzir a pressão no sistema porta e, consequentemente, nas varizes com redução do risco de ruptura ou redução e possível interrupção do sangramento ativo. Recomenda-se, especialmente, os betabloqueadores (propranolol ou o nadolol) e também o mononitrato de isossorbida. Para o sangramento ativo, o objetivo é reduzir intensa e rapidamente a pressão portal, sem causar vasodilatação sistêmica, utilizando octreotide ou terlipressina.

Tratamento cirúrgico

  • Uma opção é a utilização de shunts (derivações). A colocação do shunt consiste em desviar o fluxo sanguíneo de uma das maiores veias esplênicas para reduzir a hipertensão portal, melhorando a função hepática e prevenindo complicações. Diferentes formas de shunt do sistema porta para a circulação sistêmica podem ser utilizados: portocava, mesocava e mesoatrial.
    A sigla TIPS é um acrônimo do inglês (transjugular intrahepatic portosystemic shunt = derivação intra-hepática portossistêmica transjugular) para o procedimento radiológico no qual é realizado um “desvio” entre a veia porta e a veia cava inferior, por meio da colocação de uma prótese (stent) que é instalada no local por um cateter, introduzido pela veia jugular, no pescoço, até a veia cava. Feito esse desvio, há redução da hipertensão portal, levando a redução da ascite, diminuição do risco de hemorragia por varizes esôfago-gástricas e melhora nas síndromes hepatorrenal e hepatopulmonar.
    O transplante hepático é indicado no lugar do shunt se há sinais de insuficiência hepática, principalmente para os casos de insuficiência hepática fulminante, cirrose hepática avançada e àqueles que pioraram rapidamente após realização de shunt.
« voltar
mar 25, 2014 | Publicado por in Especialidades | Comentários desativados