Especialidades

Doença diverticular dos cólons

Epidemiologia

  • Definição: os divertículos são pequenas saculações que se desenvolvem na parede do cólon e que variam de tamanho – de milímetros a centímetros –, qualificados em pseudodivertículos e divertículos verdadeiros. Eles atingem o cólon sigmoide ou a metade esquerda do intestino grosso, mas podem também envolver todo o órgão. A diverticulose é caracterizada pela presença dessas saculações. A diverticulite é a inflamação dos pequenos sacos.
  • Incidência: a doença diverticular dos cólons (DDC) é uma condição comum, que afeta parte da população acima de 60 anos, e quase a sua totalidade após os 80 anos (mais comum em mulheres).
  • Sintomas:
    1. Dor (82,8%): pode permanecer inalterada durante toda a evolução da doença ou manifestar-se somente nos períodos agudos de exacerbações. Localizada em fossa ilíaca, esquerda ou hipogástrio, é muito intensa nos processos agudos, tornando-se mais branda com a cronicidade da doença. Em casos raros, quando o sigmoide é alongado, a dor pode estar localizada na fossa ilíaca direita, simulando um quadro de apendicite.
    2. Diarreia: é comum, e o número de evacuações diárias varia, predominando, em alguns casos, o tenesmo sobre a diarreia propriamente dita, mas raramente as fezes contêm sangue macroscopicamente visível.
    3. Constipação: é frequente, as fezes têm formato de cíbalos. É comumente acompanhada por distensão abdominal.
    4. Hemorragia: considerada grave e, em alguns casos, há referência da presença de sangue vivo misturado às fezes, com risco eminente de vida.
    5. Febre: aparece nas fases de inflamação aguda, nas perfurações ou abscessos.
    6. Náuseas e vômitos: verifica-se, apenas, em casos raros, na vigência de um quadro peritoneal, seja de natureza adinâmica ou mecânica.

Diagnóstico

  • Pesquisa de sangue oculto nas fezes: coleta de uma amostra de fezes, na qual será pesquisada a presença de vestígios sanguíneos.
  • Colonoscopia: é um exame endoscópico semelhante à retosigmoidoscopia, porém com um aparelho mais fino e mais flexível, que consegue visualizar as porções do cólon, além do reto e do sigmoide.
  • Retosigmoidoscopia: o médico introduz pelo ânus um fino tubo com uma câmera na ponta dentro do reto, à procura de pólipos ou lesões suspeitas. O intervalo ideal será determinado pelo médico.
  • Clister opaco ou enema opaco: um líquido contendo bário é colocado pelo ânus dentro do reto e do cólon, e exames de raio-X são realizados com o intuito de procurar por defeitos no enchimento dessa porção do intestino. Localizada uma anormalidade, uma biópsia endoscópica deverá ser feita.

Tratamento

  1. Clínico

    • A diverticulose e a doença diverticular são geralmente tratadas com controle da dieta (aumento da ingestão de alimentos ricos em fibras) e ocasionalmente com medicações para ajudar a controlar dor, cólicas e alterações no hábito intestinal.
    • Os casos leves de diverticulite podem ser conduzidos sem hospitalização, mas essa é uma decisão que só poderá ser feita pelo médico. O tratamento é baseado em antibióticos orais ou venosos, restrição dietética e algumas vezes no uso de emolientes fecais.
    • Nos casos graves de inflamação e hemorragia, há necessidade de cirurgia.
  2. Cirúrgico

    • Técnica cirúrgica minimamente invasiva: a cirurgia minimamente invasiva tem como objetivo a máxima preservação da anatomia com a mínima agressão ao organismo. Os benefícios da cirurgia minimamente invasiva incluem: melhor resultado estético; menos dor pós-operatória; menor taxa de complicações; recuperação mais rápida; alta hospitalar precoce; retorno mais rápido às atividades habituais e maior conforto do paciente. Para mais informações sobre essa técnica, clique aqui.

Prognóstico

  • A diverticulite é um evento preocupante, e cerca de 30% dos pacientes apresentam recorrência – esses novos episódios tendem a não responder bem ao tratamento clínico –, aumentando a mortalidade. Cerca de 10% dos pacientes operados apresentam novas crises de diverticulite após a ressecção (e 3% necessitam de reintervenção). Esses números salientam ainda mais a importância do diagnóstico precoce, permitindo a adoção das medidas clínicas conservadoras e adequadas, de modo a reduzir os riscos desse distúrbio.
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mar 25, 2014 | Publicado por in Especialidades | Comentários desativados